A Mocidade Galega pola Memória

Hoje falamos com o Diego Bará, impulsor da Mocidade Galega pola Memória (MGM). Podes topa-los nas suas redes: IG TW FB). Este movimento foi apresentado há já mais dum ano e é constituído por jovens com intenção de divulgar a realidade histórica da Galiza durante a repressão franquista a partir do golpe militar do 36.



O Diego herdara este compromisso do seu pai, e junto com as suas amizades Pablo e Andrea apresentaram a organização na véspera do dia da Galiza mártir (data que recorda estes acontecimentos) do ano 2021. Desde então muitas pessoas jovens têm se unido ao movimento, que foi muito bem acolhido nas redes, inclusive recebendo apoio explícito de influencers galegos. Topam-se atualmente em processo de formalização e têm as portas abertas à juventude galega.


Nos meses desde a sua apresentação participaram em múltiplas atividades: colaboração em eventos para a memória de deputação de Ponte Vedra, palestras nas escolas de secundária e uma excursão guiada à Ilha de São Simão. Há intenção de continuar proximamente com as atividades divulgativas para o estudantado de secundária.

Num intento de comunicar para a lusofonia as claves da realidade que foi vivida na Galiza, o Diego conta-nos o seguinte:

É importante conhecer o que aconteceu na Galiza durante durante o período que inicia no ano 1936, estendendo-se à Ditadura, mas também pondo o foco na II República; um conhecimento que nem sequer aqui está bem difundido.

Não aconteceu como no resto do estado espanhol, as forças sublevadas tomaram o poder imediatamente no território galego e começaram automaticamente uma repressão terrível e premeditada. Tinham claro a por quem ir. Criaram campos de concentração (na Ilha de São Simão, na Costa da Morte, em Cambados…). Infeliz e Injustamente, esta repressão é frequentemente vista como um evento de pouca importância.

A geração de galeguistas, vítimas desta perseguição é possivelmente uma das melhores da história do país, com intenção de pôr a Galiza no mundo e com o caminho já começado graças à aprovação do estatuto de autonomia galego. A cruel realidade é que essa geração foi aniquilada.

No movimento queremos dar atenção às mulheres e às pessoas dissidentes. Queremos contribuir a alargar a visão no estudo da nossa história, evitar restringir-se às grandes figuras e simultaneamente não esquecê-las. Seria digno de estudar, por exemplo, o papel de coletivos como o LGBT e a repressão contra este. As mulheres —por outra parte— foram uma peça fundamental nestes acontecimentos, levando a cabo labores de solidariedade com os presos, mas também sendo vítimas das cenas mais horríveis da repressão franquista e sofredoras das duras consequências desta.

[aviso de conteúdo] Violência sexual. Expande para ler.

O Diego conclui dizendo que o mundo na memória está ocupado por gente de idade na Galiza.

A gente nova tem de ir adquirindo protagonismo e assumindo a enorme responsabilidade de transmitir a memória as novas gerações.

Escrito por Manuel Omil



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