Dia internacional contra Alterações Climáticas

Assinalou-se ontem 24 de outubro Dia Internacional Contra as Alterações Climáticas.




A pedido da ONU, é comemorado o Dia Internacional Contra as Alterações Climáticas (O que é alteração climática) cujo objetivo é informar, consciencializar e educar a população mundial sobre os atrozes efeitos das Alterações Climáticas. As alterações climáticas são a maior ameaça ambiental do século XXI, com efeitos nefastos e transversais a diversas áreas da sociedade.


As calotas polares estão a derreter e o nível das águas do mar está a subir. Em algumas regiões, os fenómenos meteorológicos extremos são cada vez mais comuns, originando grandes quedas de precipitação, enquanto outras registam um agravamento das vagas de calor e das secas.


É preciso tomar medidas rapidamente para combater as alterações climáticas ou estes efeitos só se intensificarão. Quais as consequências das alterações climáticas para a natureza?


• Temperaturas Elevadas


A crise climática tem aumentado as temperaturas médias mundiais, provocando picos de temperatura extremamente elevados mais frequentes, na origem de vagas de calor. O aumento das temperaturas pode causar um aumento da mortalidade, uma menor produtividade e danos das infraestruturas.


Os setores mais vulneráveis da população, como os idosos e os lactentes, serão os mais gravemente afetados. É também provável que o aumento das temperaturas tenha um impacto na fenologia, isto é, no comportamento e nos ciclos de vida das espécies animais e vegetais, o que poderá, por sua vez, levar a um aumento do número de pragas e de espécies invasoras, bem como a uma maior incidência de certas doenças humanas.


Paralelamente, poderá verificar-se uma redução do rendimento e da viabilidade da agricultura e da pecuária ou da capacidade dos ecossistemas para fornecerem bens e serviços importantes (como a água potável ou o ar fresco e limpo).


• Disponibilidade de água doce


À medida que as temperaturas aumentam, registam-se alterações a nível da pluviosidade, a evaporação aumenta, os glaciares fundem e o nível das águas do mar aumenta. Todos estes fatores afetam a disponibilidade de água doce. Prevê-se que o aumento da frequência de secas graves e o aumento da temperatura da água provoquem uma diminuição da qualidade da mesma.


Com efeito, estas condições favorecem o crescimento de algas e bactérias tóxicas, o que agrava o problema da escassez de água, em grande parte causada pela atividade humana. O aumento dos fenómenos de pluviosidade extrema súbita (chuvas torrenciais) também pode influenciar a qualidade e a quantidade de água doce disponível, uma vez que as águas pluviais podem provocar a entrada nas águas superficiais de águas residuais por limpar.


• Inundações


Prevê-se que as alterações climáticas provoquem um aumento da pluviosidade em muitas regiões. O aumento da pluviosidade durante períodos prolongados pode causar sobretudo inundações fluviais, enquanto chuvas torrenciais de curta duração podem causar cheias pluviais, em que uma precipitação extrema provoca inundações sem transbordamento de nenhuma massa de água.


As inundações fluviais são uma catástrofe natural comum em vários pontos do globo, que, juntamente com as tempestades, causaram vítimas mortais, afetaram milhões de pessoas e provocaram enormes prejuízos económicos nas últimas três décadas. É provável que as alterações climáticas aumentem a frequência das inundações em toda a Europa nos próximos anos.


• Biodiversidade


A rapidez do ritmo a que se processam as alterações climáticas está a pôr em causa a capacidade de adaptação da fauna e flora, embora existam indícios claros de que a biodiversidade esteja a dar resposta às alterações climáticas, o que deverá certamente continuar a acontecer. Os efeitos diretos das alterações climáticas compreendem mudanças na fenologia (comportamento e ciclos de vida das espécies animais e vegetais), abundância e distribuição das espécies, composição comunitária, estrutura do habitat e processos ecossistémicos.


As alterações climáticas têm também efeitos indiretos na biodiversidade causando alterações a nível da utilização dos solos e de outros recursos. Os efeitos indiretos podem ser mais prejudiciais do que os efeitos diretos devido à sua escala, âmbito e rapidez.


Entre as consequências indiretas incluem-se: a fragmentação e perda de habitats, a sobre-exploração, a poluição do ar, da água e dos solos e a propagação de espécies invasoras. O resultado é uma redução da resiliência dos ecossistemas às alterações climáticas e da sua capacidade para prestar serviços essenciais, como a regulação climática, o ar e a água limpos e o controlo das inundações ou da erosão.


• Solos


As alterações climáticas podem agravar a erosão, o declínio da matéria orgânica, a salinização, a perda de biodiversidade dos solos, o desabamento de terras, a desertificação e as inundações. O efeito das alterações climáticas no armazenamento de carbono no solo pode estar relacionado com a alteração das concentrações atmosféricas de CO2, o aumento das temperaturas e a alteração dos padrões de precipitação. Os fenómenos de precipitação extrema, a rápida fusão da neve ou do gelo, as descargas fluviais elevadas e o aumento dos períodos de seca são fenómenos relacionados com o clima que influenciam a degradação dos solos.


A desflorestação e outras atividades humanas (como a agricultura e a prática do esqui) também desempenham um papel. Prevê-se que os solos salinos aumentem nas zonas do litoral devido à infiltração de água salgada do mar provocada pela subida do nível das águas do mar e por descargas fluviais reduzidas (periódicas).


• Ambientes Marinhos


Os efeitos das alterações climáticas, como o aumento das temperaturas à superfície do mar, a acidificação dos oceanos e as mudanças das correntes e do regime dos ventos, alterarão significativamente a composição física e biológica dos oceanos.


As alterações das temperaturas e da circulação dos oceanos podem alterar a distribuição geográfica dos peixes. O aumento das temperaturas da água do mar pode também permitir que as espécies exóticas se expandam para regiões onde anteriormente não poderiam sobreviver.


A acidificação dos oceanos, por exemplo, terá um impacto em vários organismos que segregam carbonato de cálcio. Estas alterações terão inevitavelmente efeitos nos ecossistemas marinhos e do litoral, o que terá importantes consequências socioeconómicas para muitas regiões. Ameaças sociais


• Saúde


As alterações climáticas constituem uma ameaça significativa não só para a saúde humana, mas também para a saúde animal e a fitossanidade. Embora as alterações climáticas possam não criar muitas ameaças novas ou desconhecidas para a saúde, os efeitos existentes serão exacerbados e mais pronunciados do que atualmente.


Prevê-se que os efeitos mais importantes das futuras alterações climáticas na saúde incluam: 1. Aumento da mortalidade (óbitos) e da morbilidade (doenças) relacionadas com o calor no verão 2. Diminuição da mortalidade (óbitos) e da morbilidade (doenças) relacionadas com o frio no inverno 3. Alterações a nível do impacto de determinadas doenças, por exemplo, de doenças transmitidas por vetores, roedores, água ou alimentos 4. Pragas vegetais emergentes e reemergentes (insetos, agentes patogénicos e outras pragas) e doenças que afetam os sistemas florestais e agrícolas


• População Vulnerável


As pessoas que vivem em zonas urbanas com infraestruturas deficientes e habitadas por uma população de baixos rendimentos e, de um modo geral, os grupos populacionais com rendimentos mais baixos, estão mais expostos aos efeitos das alterações climáticas e têm menos capacidade para lhes fazer face.


As mulheres podem ser desproporcionadamente afetadas pelas alterações climáticas e encontram-se em desvantagem quando é necessário tomar medidas de adaptação dispendiosas. Mas, por outro lado, as mulheres são agentes fundamentais da adaptação e, de um modo mais geral, das práticas sustentáveis.


• Emprego


O impacto do aumento das temperaturas, das alterações dos regimes de precipitação ou do aumento do nível da água do mar afeta, direta ou indiretamente, a produtividade e a viabilidade de todos os setores económicos de todos os países da UE, com implicações para o mercado de trabalho. Além disso, vários setores económicos são altamente vulneráveis devido à sua dependência de condições climáticas regulares.


Preveem-se mudanças a nível dos setores de produção, como, por exemplo, na agricultura e no turismo, em consequência das alterações climáticas. • Educação A redução da vulnerabilidade e a adoção de medidas de adaptação não são responsabilidade apenas dos governos.


A gravidade das alterações climáticas exige que os intervenientes públicos e privados colaborem na redução da vulnerabilidade e na adaptação aos efeitos das alterações climáticas. No entanto, nem todas as partes interessadas estão conscientes da sua vulnerabilidade e informadas sobre as medidas que podem tomar para se adaptarem de forma proativa às alterações climáticas.


A educação e a sensibilização são, por conseguinte, uma componente importante do processo de adaptação para gerir os efeitos das alterações climáticas, reforçar a capacidade de adaptação e reduzir a vulnerabilidade global. Como se pode ver, as alterações climáticas são um problema muito grave que nos afeta a todos. Mas há boas notícias: existem soluções. Vemo-nos no próximo post.

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