Mundial Catar 2022: Abusos, exploração e trabalho forçado




Em 2010, a FIFA, concedeu ao Catar o direito de ser o anfitrião do Campeonato do Mundo 2022, ainda que este país tivesse um grave histórico de violações de direitos humanos. Histórico este que não podia deixar de fazer presente em todos os processos que tornaram possível a realização deste Mundial.


O sistema Kafala ou de patrocínio, no Catar, define a relação entre os trabalhadores migrantes e empregadores e desde que foi implementado assiste-se a um aumento da exploração, abusos de racismo e discriminação de género. Apesar das reformas do governo, desde 2017, assistimos a constantes violações dos direitos dos trabalhadores.


Cerca de 1,7 milhões de trabalhadores sofreram abusos, exploração e em alguns casos, trabalho forçado na preparação do Mundial de Futebol 2022, no Catar. Apenas uma equipa parece continuar esquecida, os trabalhadores migrantes, a Forgotten Team. A vida foi o que deram ao Mundial 2022.


Na chegada ao Catar foram forçados a entregar os passaportes e a sua dignidade. Sofreram anos de abusos sistemáticos, viveram em condições deploráveis sob temperaturas elevadas, sem receber ordenados e em muitos casos, em trabalho forçado!


Os trabalhadores que sobreviveram estão presos no Catar sem resposta humanitária, sem conseguirem arranjar novos empregos, endividados, sem documentos ou compensação. A servidão, assim como escravidão de trabalhadores perpetradas no decorrer da preparação do Mundial do Catar, constituem um claro desrespeito pelo seu artigo 4º, “Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos.”


A que abusos foram os trabalhadores sujeitos na preparação do Mundial 2022?


1. Taxas de recrutamento exorbitantes e subsequente endividamento.


2. Salários em atraso ou corte.


3. Negação de dias de descanso.


4. Intimidação, discriminação e condições deploráveis de alojamento.


5. Condições inseguras de trabalho sob temperaturas elevadas.


6. Limitação de circulação sem ou com vistos de residência caducados.


7. Bloqueios para mudar de emprego ou sair do país.


8. Trabalho forçado e mortes inexplicáveis.


“A empresa tem o meu passaporte. Se o meu estatuto de patrocínio mudar, mandam-me de volta e eu tenho muitas dívidas para pagar… Quero o meu passaporte de volta… [e] o acampamento não é bom, somos oito a dormir num quarto – é demais. Mas não posso reclamar [porque] eles acabam com o meu trabalho.” Mohammad O Catar introduziu processos de compensação, ainda que estes permaneçam inacessíveis à maioria dos trabalhadores.


O direito internacional é soberano e prevê a garantia de compensações aos trabalhadores. De acordo com os Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos, com as políticas de direitos humanos da FIFA e com os seus compromissos, também a FIFA tem responsabilidades no pagamento das compensações relacionados com o Campeonato do Mundo.


Fonte: Amnistia Internacional

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