Nascer no Brasil, crescer na Galiza

Os testemunhos de três pessoas



No passado a população galega tem emigrado massivamente a países como o Brasil e Portugal. Na atualidade comprovamos que muita gente (alguma ligada a essas anteriores migrações) está a fazer o caminho inverso. Hoje falamos com 3 jovens que nasceram no Brasil e vieram viver a Galiza: o Luis, a Leticia e a Iza. Têm entre 21 e 22 anos e contam-nos a sua experiência.


Chegaram sendo crianças e asseguram que o período de adaptação é mais ligeiro pela proximidade linguística. Porém também coincidem em assinalar que há certa barreira entre a fala brasileira e galega, a Leticia conta que precisou de aulas de galego, entretanto o Luis assegura nunca ter tido problema de compreensão nenhum.


Lembremos que a situação linguística da Galiza é complexa. A fala patrimonial da população é o galego, que é oficial desde há 40 anos mas cada dia emprega-se mais o castelhano. Esta tendência é especialmente acentuada nas cidades e nas novas gerações. A nível oficial o galego é reconhecido como uma língua próxima, mas diferente do Português. Contudo há um consenso amplo em favor das conexões com a lusofonia. Uma parte da sociedade galega considera inclusive que são a mesma língua.


Disto também nos falam as pessoas entrevistadas. Tanto o Luis como a Leticia contam que deixaram de falar português assim aprenderam a falar castelhano com fluidez. Porém a Iza teve uma experiência diferente, ela fala sempre galego, ela atribui isto a viver no rural. Escutar música e assistir conteúdo audiovisual brasileiro ajuda-lhes a manter o contacto com a sua cultura.


Notavelmente, há unanimidade em afirmar que a língua Galega e Portuguesa são a mesma. O Luis insistiu em que a juventude galega precisa dos incentivos laborais e económicos para o emprego do galego que a lusofonia proporciona. Sem estas motivações, ele explica, as pessoas terminam falando apenas espanhol.


Os testemunhos fazem ênfase no ensino da língua portuguesa na Galiza. As escolas públicas ensinam castelhano e galego como línguas locais e mais inglês (e francês em menor medida) como línguas estrangeiras. O ensino do Português é escasso e raro. O Luis o resume assim: “[Estudei] o habitual na Galiza: castelhano, galego, inglês e francês. Olha, o inglês também é importante, mas o futuro próximo para países como a Galiza está na língua portuguesa. O ensino de qualquer língua é positivo, mas ensinar Português na Galiza é mais eficiente e singelo para a gente”. Iza conclui “penso que [o Português] deveria, em vez de ser uma disciplina optativa, ensinada em pouquíssimas escolas, que deveria de ser uma matéria obrigatória para todo mundo e em todas as etapas.”


Finalmente, foram perguntados se tinham alguma mensagem para a juventude lusófona do mundo. Disseram que lembrem a utilidade da sua língua e não a esqueçam ao irem fora.


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